Saturday, February 01, 2025

Estava esperando

Estava esperando um alo, um pouco mais de palavras, esperando um engajamento que nao veio nao.

Achei que encontraria muita coisa aqui, revirando no passado, esperando alguma coisa para o instante de agora, que obviamente nao veio.

Outro dia pensei em escrever o livro dos amores invisíveis. sao as historias de amor que criei na minha cabeça, que nenhuma realidade pode acompanhar. Sao palavras que se encaixam perfeitas, momentos impressionantes y poéticos que nao acontecem e deveriam acontecer no momento exato que eu os criei. 

Ta tudo bem, nao é uma tristeza nem uma espera, a realidade me abunda no cotidiano. A surpresa do inesperado muitas vezes combina muito mais comigo.

Mas a cada segundo eu crio historias, que nao saem de aqui de dentro, esses amores invisíveis sao meus, é o meu romantismo do dia a dia que ja no me llama ni me pega.

Mas bem que poderia!

Caralho, me desviei pro inferno aqui, na gratuidade da pesquisa e da curiosidade, nos porquês sem resposta, que estão bem assim. Eu tenho um senso de auto inflicção muito forte, que deixo me levar nas correntes. Eu assimilo momentos e esmiuço palavras… por que? Eu só queria uma vez ver o invisível. Pelo menos era o que estava esperando.

Saturday, March 02, 2024

 Ultima verborragia da noite. Ha coisas que para escrever nao funciona. O vinho inspira mas a realidade expira. Estou aqui tentando me convencer que sou a mesma, mas nao sei mais quem eh aquela que era. O tempo eu percebo diferente, quando acumulamos experiencias, os acontecimentos antigos parecem de outra vida. Tenho 9 delas e nao gastei nem metade.

Vou falar de amor. Ainda que seja breve, ainda que seja diferente, ainda que ja nao seja. Sempre será. 

Agora sou um pouco desacredirada do amor. Cago nas minhas antigas declarações, morro de vergonha das minhas antigas crenças. Meu amor expandiu e encolheu, depende do lugar que esta você. 

Escrevo sem acento, meu teclado é espanhol e sublinhou você, vi forca e comedia, num surrealismo de ser outra pessoa. 

Leio o que ja escrevi e nao me reconheco, como se fosse outra vida, renascida da distancia. Me afastei de tudo para ver as coisas desde fora e perdi o foco ou mudei para algo mais interessante.

Perdi tanto tempo em uma realidade que agora me abrumo quando penso nas possibilidades e nas comparações.

Não da para comparar, nao sei se posso ser a mesma. Queria muito me inspirar como antes, mas a inspiracao em palavras pode ser que tenha tido uma reviravolta e virou outra coisa.

Minha poesia esta no dia a dia.

Sunday, March 29, 2020

eu nao importo, mas me importo

Desde pequena eu imaginei o caos. Povoava meu inconsciente, minhas referencias culturais e sempre pareceu longe demais. De certa forma eu desejava ele, o fim do poço, o the end of the world as we know it. É que ja ta tudo tao embaixo da terra, que se nao implodir, e começar de novo, nao parecia que ia mudar. E vamos combinar, tinha que mudar.
E então, ja era. Ta ai, é fantasma, e histeria, nao é. É uma puta coisa. E agora ta o caos, eu duvido dos meus companheiros, duvido dos meus vizinhos, duvido de mim. Essa ultima duvida sempre tava lá, mas agora ela tem sentido, com certeza.
Porra, eu nao sei o que fazer. Tenho certeza que ninguém sabe. Ta todo mundo tentando seu melhor, ou o seu pior. Agora é tudo sincero, suas duvidas, suas maldades, sua humanidade, sua crueldade, a gente ta tentando.
na inercia do caos, me deixei paralisar. Sem a certeza do que é próximo a ansia por algo novo perdeu seu lugar, e eu também. Por alguns dias um sentido fulgaz parecia poder me controlar, mas isso já se foi.
questionando a realidade ainda nao encontrei as palavras que antes vinham fácil. Perdi sentidos me confundi nas línguas, me afoguei em nada. To nanado até a superficie para chegar até a terra prometida, essa devastada pela realidade que ainda está la, firme e rara. E a gente vai vendo de longe, de uma janela para o sol, de outra para a tecnologia buscando preencher o dia a dia com qualquer coisa que não nos faça pensar, ou pensando demais, juntando números, teorias e sentimentos.
nunca busquei exatamente por respostas, porque o silencio da duvida sempre me pareceu mais bonito. Mas a verdade que esse encanto já nao esta fazendo efeito no emaranhado de coisas que passam pela minha cabeça. Agora mesmo um sinal de que ta tudo bem, me pareceria genial. Ou um alo, para esquecer de tudo e me concentrar na futilidade perecível do amor.

Monday, February 01, 2016

Visto-me de luz para te enganar. Finjo na roda que participo da dança, enquanto dentro de mim tudo roda, sem saber. Fui no vento a procura e tudo pareceu ser tao claro.

Por diversas vezes é.

Quando o tempo escurece, os meus olhos miopes se turvam e mais uma vez eu me perco no inicio, ou no fim. Deitarei meus sonhos num porque maior, para então ver sentido no "se", que nunca existiu.

Thursday, August 20, 2015

Hoje choveu. Depois de uma tarde quente, o vento gelado e úmido encheu a casa de um cheiro bom. Meu girassol está cada dia mais amarelo e as paredes menos brancas. Esse é o cenário da minha imaginação. O canto que me pertence, muitas vezes não parece meu. Sempre assisti a minha vida como um filme e são poucos os momentos em que percebo que aquela sou eu. Como se fosse uma distância infinita desse corpo que habito e dos pensamentos que me pertecem. Tudo que foi meu, sempre me pareceu parte de um instante arquitetado e construído para existir como meu somente nesse específico momento. Nunca estive segura, mas continuo tentando não me apegar. Faz tempo que não tenho escutado ensurdecedoramente, o silêncio. Carros, palavras, respiros são como música que eu escuto e também aprendi a ignorar. Todo esse universo que participo, eu vivencio como uma gota que vaga pelo cosmos, perdida e insignificante diante de tudo. E cada segundo parece poesia, jogada no espaço, esperando encontrar ou ser encontrada.

Tuesday, February 25, 2014

aquilo que aquilo é

Eventualmente eu me deparo com o medo de perder isso aqui. Das palavras que tantas vezes saem fácil, como máquina de sentimento, se calem para todo o resto do tempo. Não que tenha algo de interessante para compartilhar, até tenho, mas não é aqui que faço. Isso aqui é meu, e de quem quiser, caso queira. Mas é meu de me deixar ser e dizer e gostar ou não daquilo que disse. Poderia escrever um artigo sobre as atrocidades que andam acontecendo ao redor de todos que moram nesse país, mas não é para isso que isso aqui serve. Poderia escrever mensagens destinadas à pessoas que gosto ou que não gosto, como já fiz antes, mas aprendi, isso também não é o propósito disso aqui. Poderia selecionar coisas interessantes do mundo e compartilhar com quem quisesse por aqui, mas isso também não é o que faço nesse lugar. Afinal, porque mantenho um espaço, que se encontra sempre desencontrado, abandonado e desinteressante? Não sei. Mas acredito que seja para deixar registrado um eu que talvez só eu mesma conheça, para deixar aquilo que mora aqui dentro, fora. Para se alguém um dia quiser ler, entender um pouco do que era o vazio da cabeça de alguém que nem importa, mas que escreve sem nem ler o que escreveu. Não que seja importante, não que faça alguma diferença, não que se destaque. Mas se tanto resto se pretende fazê-lo e não passa de inutilidade, pelo menos a minha inutilidade é auto intitulada e não se sente obrigada a fazer nada. Me livra um pouco de alguma coisa qualquer que não sei o que, sei lá por que motivo. Me permite escrever um bloco de notas rapidamente, o que nunca acontece no trabalho. Me obriga a pensar um pouco naquilo que não penso. Me faz deixar pedacinho do que eu acho que sou eu para trás... Acho que é isso que isso daqui é. isso aqui costumava ser um lugar para deixar as tristezas para trás. talvez estou só me escondendo no nada, daquele muito que a vida é.

Wednesday, August 07, 2013

One of those days

Nao havia movimento algum naquela rua. Talvez fosse pelo adiantado da hora, talvez o pesar que abraçava o momento carregava em si o vazio por onde ia. Do adeus se fez o silencio, um vácuo que fazia tinlintar o frio naquele asfalto cravado de rachaduras que remetiam a todos os segundos jnfinitos anteriores que aconteceram ali também. O que se seguiu foi tudo que ambos poderiam esperar: um caminhar medroso na companhia da solidão. Uma chave de casa, onde nao se deveria ir, afinal, quem a pertencia agora? A brisa seca trazia folhas e a certeza que o penar era o resultado plausível do amor.

Wednesday, October 17, 2012

palavras de uma entorpe

perdi as notas certas, parei nos instantes errados e agora corro atrás de todo perjúrio acometido. passo horas buscando "alôs" em "adeus" e não vejo erro. saio do correto todo instante, mas não me alarmo. peço informação, ando torta, caio de bicicleta. tomo uma cerveja enquanto procuro o caminho e me perco. faço parte dos meus pensamentos, mas me perco em todo o resto. fumo então mais um cigarro tentando me salvar e corro na lagoa para consertar. abro um livro e me encanto, canso e resolvo perder meu tempo. penso e repenso meus passos, para logo depois agir sem pensar. busco sentido na vírgula, não aceito o fim do ponto final. procuro salvação em cada coração, desconjuro o mundo com todas as bocas. observo os desconhecidos, me distraio ao ver o importante. grito, brigo, saio andando e no final, sou vítima. penso em me guardar, escrevo além do que eu tenho coragem de pensar que falo. ando assim, duelando entre eu e aquela que posso ser e estou bem. sonho bons sonhos, almejo o que for possível alcançar, deito meu coração no cotidiano. sou toda ouvidos na minha distração. me perco ao me encontrar. ainda sou eu e só eu, eu sou.

Saturday, October 13, 2012

Não aceito Aurelianos.

Estranho perceber que não me toca a solidão, como me consterne a frialdade dos solitários e me assombra a possibilidade de me pegar sentindo pertencente à alguém cujas crenças passam longe da permissividade à outro alguém; ainda que muitas vezes me senti capaz de transfigurar à essência de outro através de nada mais além de amor e existência, a solidão engana. Chega-se a acreditar em seu fim, quando ela apenas se mascara atrás da rotina, ou de sua quebra. Me gela os últimos ossos da espinha pensar em encontrar uma verdade triste após anos de dedicação inutilizada. Me dói a cabeça quando tento analisar cada um que me possui em coração, e coloco ali um ponto que semeia a dúvida e a desconfiança. Me odeio quando penso demais e balanceio ois, tchaus e adeus. Fecho os olhos e me entorpeço em outro sentimento ou pensamento paranóico outra vez. Prefiro a dor à solidão.

Monday, July 16, 2012

qual ser, qual se é.

não existe o que dizer, ainda. tem-se o futuro e a volta dos planos, a mudança. ah, a mudança. mundança. mundo incrível cheio de possibilidades, caminhos diversos, escolhas, simpatias, empolgações. tem-se a vida. tanto, tanto. tanto. tato. tato para dizer, sentir, fazer. futuro, caminho, seguir. tem-se a vida. a vida segue, os caminhos aumentam conforme aumenta-se o tempo de vida. a família cresce, a vida incha. quer-se tudo. tudo é só uma parte do mundo que se tem acesso, tudo é só um pouco na vida de cada indivíduo que batalha e vive, por si só. só se segue. junto se constrói. só pára, só segue, só é; a vida vai, passa adiante, volta uns passos atrás e espera. o tempo é nada perto do que se tem dentro de si. tenho o mundo e o mundo me tem. à vezes me perde, às vezes me perco. o espaço, o tempo, é tudo muito pouco para tudo que se imagina, para tudo que se planeja. dia-a-dia continua, o tempo passa, se vive a vida. a vida consome e se consome a vida. que é ser alguém, dentro de tanta gente, dentro de si? é ser. pouco a pouco, na espera de ser algo mais. e ser o que se é, na pequenez de se ser. e bom assim, que se pergunta e se responde. porque nada é quem se é, ninguém é o que é ser. viver é dúvida, sobreviver pode ser a reposta. a vida é linda, quando se quer que ela assim seja. amo tudo, amo a todos, amo você.

Tuesday, February 28, 2012

all the possible worlds

Não quis dizer de primeira. Fez como se fosse fazer uma pausa dramática e desistiu. Não era a primeira vez que guardava dentro de si tudo que estava explodindo em sua garganta para fora. Mais uma vez pensou demais, criou fantasmas e desenterrou motivos para deixar para lá. O correr da vida faz passar, pensa.
Perdidas entre seus pensamentos, memórias e idéias, vagam muitas coisas que ficam só. Talvez um dia pulem para fora num falar desgovernado, ou se montem aos poucos num papel digital de modo enigmático e pouco conclusivo. Tem coisa que não se divide, ou não se deve proferir.
O tempo sempre apaga a força e a vida tem em seu papel, a obrigação de se fazer esquecer, ou se superar, ou apenas mudar as importâncias oufrequencias. Nada disso dói mais e, talvez, essa seja a explicação para muita coisa. Esquece-se de si ou da pessoa que poderia ter sido se tivesse ido por aquele caminho que fugiu de suas mãos, ou do qual fugiu, por qualquer motivo que seja.
Faz de si um emaranhado de escolhas e soluções, muitas vezes tardias, moldando cada ruga ou cova de seu rosto. Impossível saber qual, dentre todos os mundos possíveis é o seu, ou qual teria sido mais confortável, fácil e estável de se ter seguido. Ora sente o peso de cada pequena escolha, ora abre um sorriso imenso frente ao que se tem ou se é.
Talvez não exista mesmo essa coisa de calma, que sempre se procura. Talvez exista e acompanhe, mas se guarde, para quando, na casa arrumada e na vida que vai se seguindo, um sentido efêmero crie paz.

Monday, December 19, 2011

muitas vírgulas de uma página amarela rasgada

foi quase como uma bomba. era para ser uma espiada só, e pronto. mas a falta de atenção deslocou o olhar mais uma vez, fazendo perceber de fato tudo que estava acontecendo. como se já soubesse, viu, no lugar que, se tivesse pensando em ver, ja imaginaria.
a boca seca se abria um pouco, quase não dava para reparar. o estômago engolindo gelo invisível e as pernas tremendo experimentavam uma sensação que só se lia nos livros. O adeus que tinha ensaiado discreto e despojado, somado à essa nova situação, pareceu desesperado e até mesmo um pouco infantil, patético.
mais infantil foi seu reflexo de sair correndo, como se estivesse fugindo, não para não enxergar o que tinha visto, mas como se pudesse não ter sido vista, uma vez que já havia. quase se escondeu atrás das enormes e velhas árvores, mas sua razão já estava voltando aos poucos.
na verdade, nada era uma surpresa, a vida continuaria a mesma, na prática. mas com menos certezas. se tivesse parado um minuto, saído de sua fantasia cor-de-rosa, já era de se prever. foi como se finalmente a realidade fosse vista, além daquela que sempre platonizou. vários muros desenhados caíram, e a vida real se deitou, com todo seu peso, ali mesmo.
nunca mais foi tão fácil, já não podia decidir tudo por si, a vontade dos outros não podia mais ser imaginada, nem creditada em palavras qualquer. a dúvida fez perder um pouco da criatividade. mas a crueldade resultou, como sempre, em mais poesia.
anos se passariam até a lembrança desse momento, que nunca havia esquecido, nunca havia desaparecido, mas que preferia não pensar. não que doesse, era só mera falta de importância que, superficialmente, aparentava ter, depois de alguns meses. só ao se lembrar, anos depois, caçando alguma coisa para pensar, que percebeu, de fora, o que acontecera.

Thursday, November 24, 2011

Eventualmente

Deixa. Que ela tem o tempo do lado. Tem tanto para procurar, tanto para encontrar... e perder. O sorriso forçado, puxando a alegria eufórica que se busca na juventude acima de tudo. A cara redonda que não começou a cair e formar os vãos da idade, a felicidade de se sentir parte, de achar que tem um lugar em algum lugar que lhe pertence. A ignorância e arrogância dos que acreditam que só tem a ganhar, que nunca irão morrer ou envelhecer. Deixa, que nunca deveríamos perder nada disso, mas ainda jovem o tempo abandona, passa mais rápido, desespera. Deixa que lhe restam poucos momentos assim, a criança morre.
Eu me aprisiono. Muito em minhas palavras, tanto mais nos meus solitários pensamentos. Tanta coisa que fica guardada, forçando uma saída, tanta coisa que sai deliberadamente sem caminho certo a seguir. Minhas certezas sempre me deixam dúvidas, mas fujo de outras explicações com medo de perder minha razão.
Sinto muito pelo vazio de apenas existir. Apagaram os planos mirabolantes sobre a vida, ficou o aceitar do dia a dia. Quero a megalomania de volta, mas não tem volta, o caminho como um papel antigo e o que se tem é tudo o que sobra. Não quero mudar meu caminho, só queria ter a possibilidade de outra coisa qualquer, só pra sentir que sou livre e me enganar.

Friday, September 16, 2011

tão bobinha, essa menina.

não sei o que dizer. Não sei se posso dizer tudo que sinto, às vezes me sinto meio presa, meio perdida. como se estivesse amarrada em um lugar que me faz sentir que é ali que devo ficar e ao mesmo tempo me deixa milhões de dúvidas sobre todos os outros espaços que não alcanço e não posso conhecer. puxo ao máximo esticando meu alcance, dando olhadas no que pode estar mais ali na frente, mas tenho medo de me perder e volto, pouco antes que a corda se arrebente. sou realmente um medrosa, flerto com a vida, mas quando ela vem para cima de mim, eu fujo, como uma criança que não sabe o que fazer. mas dou meus passos de formiga, sei que tenho algo pela frente como se sem sentir, fosse puxando mais e mais tudo aquilo que me segura, para que, ou me siga, ou se desprenda.
não sei lidar com a perda, nem com o abandono, então nunca abandono nada, até que essa coisa me abandone.


Friday, June 03, 2011

imobilizada

Solidão. No meio de tanta gente, ainda se sentia alheia, sentada no banco, sozinha, ela lia cara expressão, cada gesto e sorriso. Era como se estivesse de fora, olhando para uma cena qual não participava. Como se ninguém a visse, ali, encolhida em sua própria existência.
Não tinha vontade de participar. Ninguém buscava sua participação. As horas iam passando e algo mais faltava que ela nucna saberia. O mundo estava todo lá para se ver e se viver e ela estática. Esperando por alguma coisa que fosse mudar o curso de todo o resto, mas tudo mudava, menos seu canto frio. Às vezes achava que ouvia alguém gritar seu nome, mas como em sonho, a voz desaparecia.
Nada a prendia, mas o mundo a segurava. Tanta ânsia por ser livre e ir embora e continuava lá, parada, imóvel. Assistia de longe todos irem embora, caçarem o rumo de suas vidas, se separarem da sua, e continuava lá. Algumas gotas de chuva, pensou em se levantar e ir embora de novo, mas não foi. Mais uma vez tudo ao seu redor mudou, mas tudo continuava igual.
Era como se fosse rodeada de uma parede invisível que separava tudo de seu corpo inerte. E sentia a dor de não ser igual, de não ser forte ou decidida. Sentia pena, de todos e principalmente dela. Todas as promessas que ela poderia ter sido e que fez e nunca cumpriu ou vai cumprir. Talvez fique ali para sempre, com sua boca cheia de dentes e seus olhos vazios, talvez nunca mude, sentindo medo demais de não mudar.

Friday, May 20, 2011

achando ainda os bytes perdidos

Queria ter tido a chance de dizer adeus, antes que todos partissem. Por alguns curtos efêmeros momentos, eu os tive. Todos eles. E eles se foram. Como eu já imaginava que aconteceria. Mas eu queria mais uns segundos, que não me deram. E eu fiquei só. Contando as horas para o fim. E contei todas elas, até quando perdi a conta e parei de contar. Mas continuei sem explicação. E sem ninguém também. À beira do abismo que eu espreitava e que espreitava a mim. E eu olhando para cima, à espera de um sinal para me jogar. Sinal que não veio, é óbvio. Sinais foram embora com eles. E me deixaram sem mais nada. Talvez algumas palavras e fotos que eu guardo para não amarelar. E algumas músicas também, isso sempre sobra. Guardei vozes na minha cabeça, também de lembrança. Mas essas eu sei que irão sumir, perdidas no contínuo do descontínuo.