Monday, February 01, 2016

Visto-me de luz para te enganar. Finjo na roda que participo da dança, enquanto dentro de mim tudo roda, sem saber. Fui no vento a procura e tudo pareceu ser tao claro.

Por diversas vezes é.

Quando o tempo escurece, os meus olhos miopes se turvam e mais uma vez eu me perco no inicio, ou no fim. Deitarei meus sonhos num porque maior, para então ver sentido no "se", que nunca existiu.

Thursday, August 20, 2015

Hoje choveu. Depois de uma tarde quente, o vento gelado e úmido encheu a casa de um cheiro bom. Meu girassol está cada dia mais amarelo e as paredes menos brancas. Esse é o cenário da minha imaginação. O canto que me pertence, muitas vezes não parece meu. Sempre assisti a minha vida como um filme e são poucos os momentos em que percebo que aquela sou eu. Como se fosse uma distância infinita desse corpo que habito e dos pensamentos que me pertecem. Tudo que foi meu, sempre me pareceu parte de um instante arquitetado e construído para existir como meu somente nesse específico momento. Nunca estive segura, mas continuo tentando não me apegar. Faz tempo que não tenho escutado ensurdecedoramente, o silêncio. Carros, palavras, respiros são como música que eu escuto e também aprendi a ignorar. Todo esse universo que participo, eu vivencio como uma gota que vaga pelo cosmos, perdida e insignificante diante de tudo. E cada segundo parece poesia, jogada no espaço, esperando encontrar ou ser encontrada.

Tuesday, February 25, 2014

aquilo que aquilo é

Eventualmente eu me deparo com o medo de perder isso aqui. Das palavras que tantas vezes saem fácil, como máquina de sentimento, se calem para todo o resto do tempo. Não que tenha algo de interessante para compartilhar, até tenho, mas não é aqui que faço. Isso aqui é meu, e de quem quiser, caso queira. Mas é meu de me deixar ser e dizer e gostar ou não daquilo que disse. Poderia escrever um artigo sobre as atrocidades que andam acontecendo ao redor de todos que moram nesse país, mas não é para isso que isso aqui serve. Poderia escrever mensagens destinadas à pessoas que gosto ou que não gosto, como já fiz antes, mas aprendi, isso também não é o propósito disso aqui. Poderia selecionar coisas interessantes do mundo e compartilhar com quem quisesse por aqui, mas isso também não é o que faço nesse lugar. Afinal, porque mantenho um espaço, que se encontra sempre desencontrado, abandonado e desinteressante? Não sei. Mas acredito que seja para deixar registrado um eu que talvez só eu mesma conheça, para deixar aquilo que mora aqui dentro, fora. Para se alguém um dia quiser ler, entender um pouco do que era o vazio da cabeça de alguém que nem importa, mas que escreve sem nem ler o que escreveu. Não que seja importante, não que faça alguma diferença, não que se destaque. Mas se tanto resto se pretende fazê-lo e não passa de inutilidade, pelo menos a minha inutilidade é auto intitulada e não se sente obrigada a fazer nada. Me livra um pouco de alguma coisa qualquer que não sei o que, sei lá por que motivo. Me permite escrever um bloco de notas rapidamente, o que nunca acontece no trabalho. Me obriga a pensar um pouco naquilo que não penso. Me faz deixar pedacinho do que eu acho que sou eu para trás... Acho que é isso que isso daqui é. isso aqui costumava ser um lugar para deixar as tristezas para trás. talvez estou só me escondendo no nada, daquele muito que a vida é.

Wednesday, August 07, 2013

One of those days

Nao havia movimento algum naquela rua. Talvez fosse pelo adiantado da hora, talvez o pesar que abraçava o momento carregava em si o vazio por onde ia. Do adeus se fez o silencio, um vácuo que fazia tinlintar o frio naquele asfalto cravado de rachaduras que remetiam a todos os segundos jnfinitos anteriores que aconteceram ali também. O que se seguiu foi tudo que ambos poderiam esperar: um caminhar medroso na companhia da solidão. Uma chave de casa, onde nao se deveria ir, afinal, quem a pertencia agora? A brisa seca trazia folhas e a certeza que o penar era o resultado plausível do amor.

Wednesday, October 17, 2012

palavras de uma entorpe

perdi as notas certas, parei nos instantes errados e agora corro atrás de todo perjúrio acometido. passo horas buscando "alôs" em "adeus" e não vejo erro. saio do correto todo instante, mas não me alarmo. peço informação, ando torta, caio de bicicleta. tomo uma cerveja enquanto procuro o caminho e me perco. faço parte dos meus pensamentos, mas me perco em todo o resto. fumo então mais um cigarro tentando me salvar e corro na lagoa para consertar. abro um livro e me encanto, canso e resolvo perder meu tempo. penso e repenso meus passos, para logo depois agir sem pensar. busco sentido na vírgula, não aceito o fim do ponto final. procuro salvação em cada coração, desconjuro o mundo com todas as bocas. observo os desconhecidos, me distraio ao ver o importante. grito, brigo, saio andando e no final, sou vítima. penso em me guardar, escrevo além do que eu tenho coragem de pensar que falo. ando assim, duelando entre eu e aquela que posso ser e estou bem. sonho bons sonhos, almejo o que for possível alcançar, deito meu coração no cotidiano. sou toda ouvidos na minha distração. me perco ao me encontrar. ainda sou eu e só eu, eu sou.

Saturday, October 13, 2012

Não aceito Aurelianos.

Estranho perceber que não me toca a solidão, como me consterne a frialdade dos solitários e me assombra a possibilidade de me pegar sentindo pertencente à alguém cujas crenças passam longe da permissividade à outro alguém; ainda que muitas vezes me senti capaz de transfigurar à essência de outro através de nada mais além de amor e existência, a solidão engana. Chega-se a acreditar em seu fim, quando ela apenas se mascara atrás da rotina, ou de sua quebra. Me gela os últimos ossos da espinha pensar em encontrar uma verdade triste após anos de dedicação inutilizada. Me dói a cabeça quando tento analisar cada um que me possui em coração, e coloco ali um ponto que semeia a dúvida e a desconfiança. Me odeio quando penso demais e balanceio ois, tchaus e adeus. Fecho os olhos e me entorpeço em outro sentimento ou pensamento paranóico outra vez. Prefiro a dor à solidão.